Investimento-anjo no agronegócio

O investimento em empresas de base tecnológica nascentes e inovadoras  (startups) é muito gratificante para investidores-anjo pois podem colaborar com empreendedores visionários e apaixonados, além de contribuir com a geração de empregos e com o dinamismo tecnológico de determinada região. No entanto, este tipo de investimento é considerado um “investimento qualificado” em função do alto risco, e consequente retorno esperado, associado. Para reduzir este risco, sugere-se que os investimentos sejam feitos em conjunto com outros investidores-anjo (diferentes experiências profissionais) e em um portfólio de startups. Em tese, um investidor-anjo deve selecionar um conjunto de startups (digamos 10 a 12) num período de 3-4 anos, de forma a diversificar sua carteira nesta modalidade de investimento.

A relativa facilidade com que encontrarmos startups em Santa Catarina deve-se ao histórico empreendedor de seus imigrantes/colonizadores. Em Florianópolis, por exemplo, o ‘ecossistema’ de inovação começou a surgir em 1960 com a inauguração da UFSC e principalmente  com a criação da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia) e da Fundação Certi em meados da década de 1980. A importância de um ecossistema robusto é relevante principalmente à troca de ideias entre empreendedores, investidores e mentores destes negócios. Muito do que é criado no ambiente de startups são modelos de negócios novos, específicos e muitas vezes inéditos no Brasil. Estes jovens empreendedores precisam se comunicar, trocar ideias, compartilhar experiências e aprender uns com os outros.

Via de regra é mais difícil encontrar startups de alto potencial do que investidores, simplesmente porque no primeiro caso são necessários investimentos de longo prazo na formação de jovens talentos enquanto, por sua vez, o capital é volátil e migra rapidamente para onde estão as melhores oportunidades de remuneração.

Estamos num processo de amadurecimento deste tipo de investimento. Tanto investidores e empreendedores estão se familiarizando com o assunto, realizando seus primeiros investimentos e, no médio prazo com as saídas de sucesso destes investimentos, o mercado catarinense tende a se consolidar e tornar-se referência no Brasil. Hoje, além da Floripa Angels e a Rede de Investidores Anjos de Santa Catarina (RIA-SC), temos alguns Fundos de Investimento operando localmente geridos pela BZPlan, CVentures e BNDES (Criatec) que atuam em parceria para aportar recursos financeiros e gestão às startups mais promissoras.

O agronegócio brasileiro já é referência mundial. No entanto, existem inúmeras oportunidades onde as empresas inovadoras podem atuar em parceria com empresas já estabelecidas no mercado, levando tecnologia, produtividade e aperfeiçoamento do processo produtivo. A criação de canais de comunicação entre estes dois mundos que, via de regra, coexistem mas não se falam, seria um passo fundamental para o surgimento de novos projetos com foco específico em capturar oportunidades no mercado agropecuário.

 

Marcelo Cazado

Mestre em Economia pela Universidade de Sussex - UK. Acredita que o empreendedorismo é o caminho mais curto para o desenvolvimento de uma sociedade e o mais desafiador para a autorrealização. Entusiasta do investimento-anjo. Adora crianças, inveja os felinos e espairece em ondas grandes.

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