Vacas de leite e o vazio forrageiro: A Importância de se preparar para que os animais não passem fome

O bem-estar de animais de produção é bastante amplo e vai muito além do conforto térmico, incluindo o fornecimento de alimentação em quantidade e qualidade adequada conforme o tipo, raça, idade e sexo do animal que estamos trabalhando. Quando pensamos em vacas leiteiras, logo imaginamos os animais em um belo e infinito pasto verde, porém, nem sempre isso corresponde à realidade das vacas que produzem o leite que consumimos.

O sucesso econômico da atividade leiteira, depende do fornecimento de alimentação adequada em todas as fases do rebanho. E uma das fases mais críticas é o período de lactação, que para se tornar viável economicamente requer uma constância na produção do leite e para isso, demanda continuidade na qualidade e quantidade de alimento.

Porém, sabe-se que as variações na oferta, quantidade e qualidade de alguns alimentos são normais, ainda mais quando se trata da região Sul que apresenta estações climáticas bem definidas e por isso afeta a oferta de pastagem, que é base alimentar para boa parte dos rebanhos.

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Figura 1 – Escassez de alimentos de qualidade nos períodos de vazio forrageiro obriga os animais a ingerirem alimentos de baixo valor nutritivo. Fonte: UOL Notícias – Secas pelo Brasil

Todas as plantas utilizadas como pastagem têm um ciclo de vida bem definido e ao final deste ciclo a planta produz suas sementes e sua parte vegetativa morre. Com isso, o produtor fica sem forragem para alimentar os seus animais até que as pastagens da próxima estação tenham atingido crescimento adequado.  Essa dificuldade ocorre duas vezes ao ano: nas transições de pastagens que acontece nos meses de setembro e outubro e nos meses de março e abril, podendo este período ser ampliado se as chuvas da estação forem irregulares. Esse período é conhecido como vazio forrageiro.

O vazio forrageiro se caracteriza pela escassez de pastagem, tanto das espécies de outono e primavera. Esse processo reflete na queda de produção de leite, na perda de peso dos animais, no metabolismo produtivo, no manejo sanitário e reprodutivo.  

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Figura 2 – Período compreendido no vazio forrageiro apresenta pastagem escassa e de baixa digestibilidade, pois a maior parte das gramíneas está no final do seu ciclo vegetativo.

Para que possa amenizar essas dificuldades, é preciso que o produtor adquira conheci

mentos relacionados à atividade, faça o planejamento do plantio de pastagens anuais e perenes e principalmente o uso de silagem, além de desenvolver o hábito do planejamento forrageiro para sua propriedade. Essas medidas evitam tomar soluções de “última hora”  que em geral custam caro, geram resultados inconsistentes ou até mesmo desastrosos. 

Em um próximo texto iremos abordar os benefícios econômicos de planejar com antecedência a silagem para o ano seguinte.

 

 

 

Marcos Arcari

Médico Veterinário. Consultor em nutrição e qualidade do leite. Responsável Técnico pelo laboratório LabMast - Passo Fundo/RS

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